Primeiro post é sempre meio estranho não? Anywho...
Queria falar de alguma coisa divertida, mas são 07 da manhã e nada é divertido as 07 da manhã. Aí pensei em alguma coisa engraçada, mas meu senso de humor também não é dos melhores logo cedo... ele nunca é muito bom, mas de manhã ele é realmente escasso. Aí pensei em algo profundo mas o mesmo raciocinio dos problemas acima se aplicam aqui também. Foi aí que pensei em não falar nada. Ou falar qualquer coisa já que o blog é meu mesmo.
Tem um tempo já que eu ando com uma idéia pra uma história original... na verdade é uma ideia de roteiro, mas não tenho coragem de escrever. Ridiculo, não?! Pois é... eu estou com um certo medo, e muito receio, de colocar essa história no papel.
Como diria o esquartejador, vamos por partes.
A muito tempo atrás, eu decidi que gostaria de fazer cinema (sim, na terra da Rede Globo eu querendo fazer cinema e não novela, vai entender), mais especificamente depois de ter assistido E.T. pela primeira vez. Spielberg mudou minha vida, e eu não digo isso apenas metaforicamente. E desde então eu tenho dito pra mim mesma que é isso que eu vou fazer pro resto da vida, mesmo que não me traga dinheiro (sim, eu sou daquelas loucas que fazem arte pela arte e nada mais).
O tempo foi passando, eu fui crescendo, o sonho foi aumentando, mas a realidade também foi aparecendo; é dificil acreditar em tudo que você acreditava quando era pequena, ou até mesmo quando tinha mais inocência no coração, quando o mundo todo quer te provar o contrário. Eu nunca fui uma pessoa pessimista, mas coisas acontecem na vida de todos que mudam nossa visão de como as coisas acontecem ou deixam de acontecer nessa vida de Deus...
Mas mesmo assim me mantive firme. Com uns 15 anos escrevi um roteiro, um curta de mais ou menos (pelas minhas contas que podem, sem sombra de dúvidas, estarem erradas) 45 minutos. A história era simples, os personagens mais ainda. Mas era a primeira vez que eu escrevia um roteiro e depois daquilo achei que o mundo poderia ser meu. Até que eu pedi para uma amiga dar uma olhada.
Eu sei que aquele não é o roteiro que iria me render um Oscar, mas eu tinha 15 anos! Não precisava acabar com os meus sonhos da maneira que ela acabou (e nem somos mais amigas hoje em dia, dá pra imaginar o por quê). E aquele foi, eu acho que até hoje, o maior banho de água fria que eu já tomei em relação a algum sonho ou vontade minha.
Ainda tenho aquele roteiro... está dentro de uma gaveta, com umas traças amigas do lado, mas eu não tenho coragem de jogá-lo fora. Ele já passou por muitas mudanças mas tem uns 2 anos que não pego mais no coitado...
Agora, eu nunca desencanei desse sonho. Fazer cinema. Escrever de verdade. Dirigir alguma coisa que não fosse o video caseiro que eu fiz com uma amiga na Fnac. Mas também não sei se estou a altura do que eu quero tanto fazer. Acho que é aí que chegamos nesse medo estúpido que eu venho tendo de simplesmente sentar e escrever.
Eu tenho tudo. Personagens, trama, turning point números 1 e 2, conclusão da história, final do romance. Tá tudo na cabeça... só o que falta é a coragem de passar pro papel. Ou pro computador, mas eu sou meio conservadoa, ponho tudo no papel antes de passar horas digitando. Mas tem cabimento isso? Ter medo de escrever!?
Quem me conhece sabe que escrevo fics (aquelas histórias que fãs alucinados de séries escrevem, com os personagens das séries ou livros ou filmes que eles gostam, mas a hisória é deles, eles só emprestam os personagens), e eu ainda acho que fic é mais complicado de escrever do que uma historia original por que você tem que se manter fiél ao personagem da ficção; e mesmo assim eu passo horas e horas escrevendo sobre personagens que nem meus são, e na hora de escrever um paragrafo que seja eu travo. Total e completamente travada.
E eu sei que todos temos medo de nos expôr, isso é fato constatado nessa sociedade maluca que vivemos, mas além desse receio inicial, eu acho que tenho mais medo de descobrir que não fui feita pra isso do que qualquer outra coisa (e não, não estou dando uma de Dawson com essa história toda).
Todos corremos esse risco, I know. Todos temos sonhos e vontades e desejos que as vezes, mais recorrente do que gostariamos de acreditar, nos frustram. E esse é o meu, eu acho. Eu passei tanto tempo da minha vida imaginando e sonhando com como seria entrar pra faculdade, cursar cinema, ir trabalhar numa produtorazinha independente, ganhar uns trocados fazendo filmes independentes, e quem sabe algum dia filmar alguma coisa maior, ser reconhecida no pais que não dá a minima quase pra cinema; eu passei tanto tempo montando essas situações na minha mente que agora, quando é hora de parar de imaginar e começar a fazer, o medo que bate é tão intenso que eu não sei se consigo.
E se essa realmente não for a minha vocação? E se eu estiver destinada a trabalhar dentro de um escritório pro resto da vida? E se simplesmente me falta o talento que eu achei que tinha?
Não sei se é termino de faculdade, problemas no meu atual emprego, dúvidas com algumas amizades e situações que estão me fazendo pensar assim... talvez sejam todas essas coisas juntas, talvez não seja nenhuma delas.
Mas as perguntas e incertezas continuam... e eu continuo sem conseguir passar uma simples história pro papel.