domingo, 27 de dezembro de 2009

How do you measure the life of a woman or a man?

Sabe quando você precisa sentir? Não é sentir nada em especial... Você não quer sentir amor, tristeza, raiva, felicidade. Você não tem preferência. Você só precisa sentir. Sentir alguma coisa.


Passei o dia todo com esse sentimento... Olhava pro meu celular e pensa em ligar pra alguém, mandar mensagem, jogar, ver fotos, vídeos... Escutei muita musica hoje. Mas ainda não era isso que eu queria sentir. Peguei um filme triste hoje pra ver, tentar chorar. Nada.


Ontem foi a mesma coisa. Vi dois filmes... Um novo, ainda não tinha visto, e um antigo, que sempre me faz chorar. Nada também.


Dois dias tentando sentir... Dois dias sem sentir... Nada.


Fazia muito tempo que eu não andava de bicicleta. Assim, muito mesmo. E meu cunhado veio pra minha casa hoje, encontrar a minha irmã, de bicicleta.


Fiquei mais um tempo olhando a chuva, pensando em sair, me molhar, faz tempo que também não tomo banho de chuva. Decidi que não. Por quê? Não sei. Na hora não pareceu uma idéia tão boa, apesar do calor insuportável de São Paulo no final do ano.


Fui até a casa da minha prima. Mesmo quintal, em frente a minha. Ela não estava, ou fingiu que não me viu. Acredito mais na segunda opção.


Olhei o telefone. Ele não toca pra mim tem um bom tempo. Não que isso determine a minha felicidade, mas talvez meu estado e necessidade de sentir se aliviariam um pouco com o fato que alguém estava pensando em mim naquele momento. Estranho. Não sei de onde esses pensamentos surgem.

Enfim, sai de casa de novo. Parei na varanda. A bicicleta me olhou. Eu olhei pra ela. Não foi amor a primeira vista. Não foi amor nenhum. Apenas necessidade.


Não tive duvidas mais. Peguei minha Rachel, meu mp3 se chama Rachel (Berry, não Green),coloquei Seasons of Love pra tocar e sai. Realmente, fazia muito tempo que não andava de bicicleta.


Na primeira curva quase cai, mas o elenco de Rent cantava no meu ouvido e aquilo me deu uma vontade de correr mais, de sentir o vento no rosto, de cantar com eles o mais alto que eu pudesse! E foi o que eu fiz.

Por meia hora eu corri, cansei, suei, e cantei. Gritei. Cantei sem parar musicas que agora soam como hinos pra mim. Measure your life in love. The opposite of war is not peace, it’s creation. Take me for what I am, who I was meant to be. Todos os versos soavam como se estivessem sendo cantados pra mim. E isso me fez sentir.

Fez-me sentir viva. Fez-me sentir importante, não para os outros, mas para mim mesma. Fez-me sentir. E era só isso que eu precisava.


O vento no rosto, uma musica no ouvido e uma bicicleta.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Who told you you're allowed to rain on my parade?!

E eu sou copiona mesmo.

Na verdade, queria fazer um post desse tem um tempinho já... mas nunca dá certo por que a minha vida é uma loucura agora... adoro isso. De verdade. É tanta coisa pra fazer, tanta gente pra ver, tanto skype pra surtar que você perde a noção do tempo. E do sono. Mas mais do tempo.

2009 no geral? Muito bom.

Amizades ficaram mais fortes, algumas balançaram mas não cairam, outras se desintegraram. Familia sempre unida, pelo menos parte dela, e aquela que não une a gente gruda mesmo, na maior cara de pau. Trabalho a mil. Faculdade terminada. Novos sonhos e projetos desenhados para que 2010 seja ainda mais surpreendente (e quem sabe até lá não to trabalhando com Fernandinho? Metas, metas!!).

Momentos ruins todos temos... teve gente que ficou sem casa por que São Pedro decidiu que queria começar a destruição, pelo menos de São Paulo, antes de 2012. Teve gente que perdeu pai, mãe, irmã, cachorro, gato e papagaio. Graças a Deus não fui um deles, mas também tive meus fardos. Gosto de lembrar dos deles mesmo assim, por que isso te ajuda a colocar as coisas em perspectiva... te ajuda a ver que os problemas não são só teus, outras pessoas também tem problemas e as vezes até mais dolorosos do que os seus, isso não diminui o fato que você tembém sofre. É só uma questão de perspectiva mesmo.

2009 foi interessante. Coisas que nunca achamos que aconteceria aconteceram... Pollyanna veio diretamente de Fortaleza para o Rio de Janeiro e então pra São Paulo! Quem diria que o trio realmente consegueria se ver um dia?! Foram tantas tentativas frustradas que a gente começa a pensar que não vai acontecer... mas Santo Kaio tá aí pra essas coisas, não? Piadinha infame ainda? Okay...

Quem diria que eu iria, realmente, terminar a faculdade? Eu posso dizer que eu mesma duvidei de mim muitas vezes. Não por falta de capacidade, mas por falta de comprometimento mesmo. É quase triste pensar que foram quatro anos assim... nessa neura e loucura pra acabar logo e, agora que acabou, queria poder dizer que sinto falta... das aulas, do lugar, das pessoas... mas, pra ser honesta, do que eu sei que vou sentir uma falta imensa? Da minha irmã.

Quando ela começou a fazer faculdade na mesma Universidade que eu a nossa relação mudou. Passamos a conversar mais, a brincar, a nos entender. Sempre amei minha irmã de uma maneira incondicional, brinco que ela é a minha segunda mãe (o que é a mais pura verdade), mas depois que começamos a nos ver mais, e a nos ver se terceiros incomodos, viramos amigas. E é disso que eu vou sentir falta, mas sei que o sentimento não vai embora.

Aprendi esse ano que posso me virar sozinha... sem minha familia. Esse era um medo que eu tinha, uma dependência que achava incurável (essa palavra existe? parece estranha), mas esse ano eu percebi que consigo me cuidar sem eles por perto... e quando eu digo eles não é só a minha mãe. São todas as minhas tias, e primas, e primos e crianças que até o ano passado me impossibilitavam de seguir em frente. Não por maldade, mas por que a minha dependência era tanta, que eu não conseguia me ver um final de semana longe deles... Isso quer dizer que estou mais forte, certo? Não mais fria? Prefiro o forte.

Amigas de décadas foram reencontradas... o bom de se morar numa cidade pequena longe de tudo onde você fica presa dentro do onibus por duas horas quase até chegar em qualquer lugar? Sempre tem alguém no mesmo onibus que fez o Colégio com você e que você não via, ou falava, a anos. Isso SEMPRE acontece. No kidding. E assim amizades renascem. Essa em particular nunca tinha morrido, mas só o fato dela ainda existir já me faz sorrir um pouco mais.

Mais uma vez amigas de décadas continuam amigas... por que isso também é fato de comemoração! Manter uma amizade por dez ou mais anos? Com todas as dificudades e loucuras? Quase um milagre!! E ser amiga minha não é uma tarefa lá tão facil também... amigos bipolares são cansativos. E eu tenho uma séria tendência a me distanciar das pessaos por nada... agradeço a Deus que essas amizades... todas essas acima mencionadas, são mais espertas que eu e não se deixam abater.

E é por isso que eu amo todas... nem precisa falar muito, por que todas elas sabem o quão especial elas são... e o quão feliz eu me sinto sempre que conversamos, nos vemos, nos textamos (essa eu sei que não existe!!).

Eu nunca sei terminar textos, tenho um problema tremendo com isso, então aqui vai:

Glee, by its own definition, is about opening yourself up to joy.

E que isso sirva de lição a todos!!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

But it's over now... go on and take a bow....

Nunca achei que uma cirurgia seria uma coisa boa na minha vida. E eu não me refiro ao fato que peguei quinze dias pra ficar em casa sem fazer nada... e sem fazer nada mesmo por que eu não posso fazer nada, assim, nada mesmo. Até pra almoçar, sentar na mesa da cozinha (quando é lá que eu almoço, muito de vez em quando) é um tormento... meia hora pra sentar e mais meia hora pra levantar... mas, pouco a pouco, com a ajuda de mamãe estou melhorando.

Acho que eu gostei do fato de ter feito uma cirurgia, de ter ficado realmente mal (com uma dor fora do normal) por que me deu chance de ver quem realmente está do meu lado. Quem realmente se importa.

Tenho pra mim que, quando alguem está mal, I mean, se a pessoa está no hospital é por que a pessoa realmente não está bem; o minimo a se fazer é ligar... se não pra ela no hospital pra alguém da casa dela, saber como as coisas estão, cortesia de praxe.

Foi interessante ver a reação dos meus amigos.

Alguns, aqueles que eu tinha certeza que eram capazes de sairem das suas casas pra irem até o hospital me ver, tiveram exatamente essa reação. Me ligaram ou mandaram sms seguidos e cheios de preocupação, querendo saber se eu estava melhor ou quando teria previsão de alta. Esses estão comigo para o que der e vier, e eu sei que posso contar com eles de manhã ou de noite. Nesse grupo não tem muitos, mas os poucos que ali residem eu tenho certeza que não vão me abandonar jamais.

Tem também meus pais e mães... amigos de longa data da familia que nem por um minuto me deixaram sentir sozinha naquele quarto gelado. Esses são aqueles que me levaram até o hospital, ou emprestaram o carro pra me levar até lá... também sei que posso contar com eles até debaixo d'agua, sem medo de ser feliz!

Tem aqueles que não ligaram na hora... não me procuraram de imediato... mas estavam pensando em mim e assim que cheguei em casa apareceram. E eu entendo o por que desse comportamento agora.. na hora fiquei chateada sim, achei que não se importavam comigo, mas percebi que não era isso... não é todo mundo que consegue parar com a sua vida só pra te adular, entendi isso agora. E o fato de que algumas viajaram quase oito horas pra me ver no final de semana quer dizer muito, you know?

E tem aquelas que decepcionaram. I'll give it to you, eu não estava morrendo... graças a Deus foi só um cisto, nada de mais grave, mas mesmo assim... você passou por uma cirurgia... eu tenho que admitir que nunca me senti tão vulnerável na minha vida como na hora que eu sentei na cama pra me levarem pra sala de cirurgia. Eu queria chorar, queria chamar minha mãe, queria falar pro meu pai não deixar eles me levarem por que eu estava morrendo de medo de alguma coisa dar errado e eles esquecerem uma gaze dentro de mim or something like that...

E algumas pessoas, uma das mais importantes na verdade, nem ligou. Ficou sabendo, achou que era cirurgia de rotina (tipo, que merda é essa?! Só por que é de rotina a outra pessoa não merece nem uma mensagem? Nem pra saber se já tá em casa?!), viu que não era cosia de vida ou morte e prefiriu deixar passar... já que não tá morrendo, pra que se incomodar, não é?!

E sim, eu foco naqueles que sempre estão lá... os amigos e a familia, por que a minha familia é essa coisa tão linda que um dia depois de sair do hospital todas as minhas tias já estavam na minha casa... menos uma, mas eu sei que ela só não estava aqui comigo por que o meu primo também ia passar por uma cirurgia no dia seguinte... não é uma boa semana pra minha familia, eu tenho que admitir... Mas mesmo assim, quando alguem te decepciona nesse grau, é horrível. É triste. Te faz pensar em muita coisa.

Te faz pensar que as pessoas mudam e não te esperam, por que sabem que uma hora ou outra você acaba acompanhando, nem sequer te informam que a mudança está ocorrendo... que se dane você e aqueles que não perceberam! Não é de hoje que as mudanças estão vindo... tem um bom, longo tempo que você percebe uma coisa ou outra.... mas você acredita que a amizade fala mais alto. Você se recusa a pensar que talvez a jornada junto com a outra pessoa chegue ao fim.

Eu tive um termino de amizade nesses vinte e um (caralho, é tudo isso já?!) anos de vida. E foi triste... mais triste do que eu gostaria de lembrar. Foi uma daquelas coisas que não dava mais mesmo, foi foda, era horrível acordar e saber que a pessoa não ia te ligar e ela provavelmente não ia te atender se você ligasse pra ela; eu só agradeço por não ter perdido todas as amigas nessa época... a minha "meia irmã" continua comigo até hoje e eu sei que essa ninguém tira de mim.

Não digo que com essa amiga agora a amizade tenha acabado... mas ela está tão deteriorada que não sei como continuar daqui pra frente; principalmente por que agora eu realmente imagino que ela não se importe comigo... não dá pra colocar de outra forma. e não consigo pensar de outra maneira... acho isso tudo tão triste e até mesmo infantil, ficar pensando em amizades que podem acabar e coisas do tipo, mas não dá pra evitar. Está tudo tão escancarado que nem que eu queira consigo ver de outra forma agora.

Algumas pessoas te surpreendem... aquele telefonema a longa distancia que fazia tanto tempo não acontecia de repente acontece de novo, aquele sotaquezinho que faz você rir; aquela mensagem bizarra as três da manhã que ninguém mais entende; aquele telefonema na hora do almoço por que afinal de contas as pessoas trabalham e essa era a única hora livre pra te ligar e ver como você está. Isso é o que faz a diferença... não quem não te ligou, quem não mandou mensagem ou email. É nisso que devemos nos prender, é nisso que devemos nos ater a cada momento, pra que não se perca o sentido das coisas... o sentido da vida.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

We both know that we made a mistake...

Você já acorda de manhã um tanto quanto carrancuda, o celular desperta e a sua vontade de jogá-lo na parede é tanta que você sente sua mão subindo com o aparelho num movimento de arremesso... mas aí você lembra o quão suado foi para pagar a bagaça do celular e o quão importate ele é na sua vida e decide que ele merece viver por mais algum tempo, caso contrário, como você vai acordar amanhã?!

Não come praticamente nada no periodo da manhã, é tudo muito corrido, muito rapido, não dá tempo nem pra pensar direito.

Ônibus lotado. Gente falando alto quando você está tentando dormir mais um pouco para não parecer um zumbi quando sua chefe chegar e te pegar na internet, coisa que você não deveria estar fazendo em primeiro lugar.

Trabalho. Gente chata. Gente mesquinha. Gente que nem vale a pena comentar. A única alma do local que valia a pena pediu demissão por que já não aguentava mais aquela ditadura. E você permanece, por que você ainda precisa do dinheiro e parece que nenhum outro lugar quer ter você na sua equipe.

Mas tudo bem por que a hora passa ateé que rapido e antes que você perceba já deu a hora de ir pra casa. Bom, não pra casa, mas pelo menos de sair de lá.

Agora, faculdade. Uma faculdade da qual você não gosta e onde não tem amigos. Sim, você conhece pessoas por que, afinal de contas, são quatro anos estudando com elas mas, amigos mesmo, daqueles que você se importa a pont de mandar uma mensagem ou ligar quando não tem o que fazer, esses não... mas, você pensa, já está acabando, não tenho mais tanto tempo aqui, poderia aproveitar o que me resta, não? Não. A sua intenção até que é boa mas nada acontece, você se esforça pra prestar atenção na aula e pra se interessar pelo assunto mais bizarro que as pessoas do seu lado estão comentando... e mesmo assim você se sente perdida, como se ninguém ali soubesse da sua existência.

Ali não o tempo não passa tão rapido, mas passa. E daí já é hora de ir embora, toda uma viagem por que você tem que morar no fim do mundo. E, quando chega em casa, já é hora de dormir, você não se aguenta em pé mas faz força pra aguentar tomar um banho e cai na cama que você nem tinha arrumado quando saiu de casa pela manhã.

E, no meio disso tudo, um amigo ou outro te liga, te manda uma mensagem, te faz lembrar que o final de semana está quase aí e tudo vai melhorar... e esse discursso já acontece a tanto tempo que você começa a se perguntar quando é que isso vai realmente melhorar. Por que você já está chegando a um ponto onde ou as coisas mudam mesmo, ou você volta a pensar em coisas estupidas por que começa a se ver sem saída... sem ter pra onde correr ou onde se esconder.

Tudo anda tão perdido, tão fora de rumo, que você começa a achar que é isso... isso é o melhor que você consegue fazer e o mais longe que consegue chegar. E isso é tão terrivelmente assustador que talvez, só talvez, fosse melhor acabar com tudo isso. E esse não é um pensamento que te agrada, mas infelizmente ele parece te seguir pra todos os lugares.

E, no meio disso tudo, quando parece que lado negro da força te pegou mesmo, você recebe uma mensagem falando de algo absurdo que você não consegue evitar mas rir... ou uma ligação falando de uma festa ou reunião familiar que você não pode perder... e assim, você esquece um pouco dos problemas... e, por hora, eles parecem extremamente insignificantes perto daquelas pessaos tão amadas e queridas que te rodeiam.

O único problema é quando chega a noite. E você sabe que vai ter que fazer tudo aquilo de novo, e que tudo aquilo que você vai fazer de novo vai acabando com você, little by little, e você teme o dia em que a mensagem não chegue, ou que o telefonema não aconteça.

terça-feira, 30 de junho de 2009

I wish I could fly, I know I could save us somehow...

Primeiro post é sempre meio estranho não? Anywho...

Queria falar de alguma coisa divertida, mas são 07 da manhã e nada é divertido as 07 da manhã. Aí pensei em alguma coisa engraçada, mas meu senso de humor também não é dos melhores logo cedo... ele nunca é muito bom, mas de manhã ele é realmente escasso. Aí pensei em algo profundo mas o mesmo raciocinio dos problemas acima se aplicam aqui também. Foi aí que pensei em não falar nada. Ou falar qualquer coisa já que o blog é meu mesmo.

Tem um tempo já que eu ando com uma idéia pra uma história original... na verdade é uma ideia de roteiro, mas não tenho coragem de escrever. Ridiculo, não?! Pois é... eu estou com um certo medo, e muito receio, de colocar essa história no papel.

Como diria o esquartejador, vamos por partes.

A muito tempo atrás, eu decidi que gostaria de fazer cinema (sim, na terra da Rede Globo eu querendo fazer cinema e não novela, vai entender), mais especificamente depois de ter assistido E.T. pela primeira vez. Spielberg mudou minha vida, e eu não digo isso apenas metaforicamente. E desde então eu tenho dito pra mim mesma que é isso que eu vou fazer pro resto da vida, mesmo que não me traga dinheiro (sim, eu sou daquelas loucas que fazem arte pela arte e nada mais).

O tempo foi passando, eu fui crescendo, o sonho foi aumentando, mas a realidade também foi aparecendo; é dificil acreditar em tudo que você acreditava quando era pequena, ou até mesmo quando tinha mais inocência no coração, quando o mundo todo quer te provar o contrário. Eu nunca fui uma pessoa pessimista, mas coisas acontecem na vida de todos que mudam nossa visão de como as coisas acontecem ou deixam de acontecer nessa vida de Deus...

Mas mesmo assim me mantive firme. Com uns 15 anos escrevi um roteiro, um curta de mais ou menos (pelas minhas contas que podem, sem sombra de dúvidas, estarem erradas) 45 minutos. A história era simples, os personagens mais ainda. Mas era a primeira vez que eu escrevia um roteiro e depois daquilo achei que o mundo poderia ser meu. Até que eu pedi para uma amiga dar uma olhada.

Eu sei que aquele não é o roteiro que iria me render um Oscar, mas eu tinha 15 anos! Não precisava acabar com os meus sonhos da maneira que ela acabou (e nem somos mais amigas hoje em dia, dá pra imaginar o por quê). E aquele foi, eu acho que até hoje, o maior banho de água fria que eu já tomei em relação a algum sonho ou vontade minha.

Ainda tenho aquele roteiro... está dentro de uma gaveta, com umas traças amigas do lado, mas eu não tenho coragem de jogá-lo fora. Ele já passou por muitas mudanças mas tem uns 2 anos que não pego mais no coitado...

Agora, eu nunca desencanei desse sonho. Fazer cinema. Escrever de verdade. Dirigir alguma coisa que não fosse o video caseiro que eu fiz com uma amiga na Fnac. Mas também não sei se estou a altura do que eu quero tanto fazer. Acho que é aí que chegamos nesse medo estúpido que eu venho tendo de simplesmente sentar e escrever.

Eu tenho tudo. Personagens, trama, turning point números 1 e 2, conclusão da história, final do romance. Tá tudo na cabeça... só o que falta é a coragem de passar pro papel. Ou pro computador, mas eu sou meio conservadoa, ponho tudo no papel antes de passar horas digitando. Mas tem cabimento isso? Ter medo de escrever!?

Quem me conhece sabe que escrevo fics (aquelas histórias que fãs alucinados de séries escrevem, com os personagens das séries ou livros ou filmes que eles gostam, mas a hisória é deles, eles só emprestam os personagens), e eu ainda acho que fic é mais complicado de escrever do que uma historia original por que você tem que se manter fiél ao personagem da ficção; e mesmo assim eu passo horas e horas escrevendo sobre personagens que nem meus são, e na hora de escrever um paragrafo que seja eu travo. Total e completamente travada.

E eu sei que todos temos medo de nos expôr, isso é fato constatado nessa sociedade maluca que vivemos, mas além desse receio inicial, eu acho que tenho mais medo de descobrir que não fui feita pra isso do que qualquer outra coisa (e não, não estou dando uma de Dawson com essa história toda).

Todos corremos esse risco, I know. Todos temos sonhos e vontades e desejos que as vezes, mais recorrente do que gostariamos de acreditar, nos frustram. E esse é o meu, eu acho. Eu passei tanto tempo da minha vida imaginando e sonhando com como seria entrar pra faculdade, cursar cinema, ir trabalhar numa produtorazinha independente, ganhar uns trocados fazendo filmes independentes, e quem sabe algum dia filmar alguma coisa maior, ser reconhecida no pais que não dá a minima quase pra cinema; eu passei tanto tempo montando essas situações na minha mente que agora, quando é hora de parar de imaginar e começar a fazer, o medo que bate é tão intenso que eu não sei se consigo.

E se essa realmente não for a minha vocação? E se eu estiver destinada a trabalhar dentro de um escritório pro resto da vida? E se simplesmente me falta o talento que eu achei que tinha?

Não sei se é termino de faculdade, problemas no meu atual emprego, dúvidas com algumas amizades e situações que estão me fazendo pensar assim... talvez sejam todas essas coisas juntas, talvez não seja nenhuma delas.

Mas as perguntas e incertezas continuam... e eu continuo sem conseguir passar uma simples história pro papel.