quarta-feira, 16 de setembro de 2009

But it's over now... go on and take a bow....

Nunca achei que uma cirurgia seria uma coisa boa na minha vida. E eu não me refiro ao fato que peguei quinze dias pra ficar em casa sem fazer nada... e sem fazer nada mesmo por que eu não posso fazer nada, assim, nada mesmo. Até pra almoçar, sentar na mesa da cozinha (quando é lá que eu almoço, muito de vez em quando) é um tormento... meia hora pra sentar e mais meia hora pra levantar... mas, pouco a pouco, com a ajuda de mamãe estou melhorando.

Acho que eu gostei do fato de ter feito uma cirurgia, de ter ficado realmente mal (com uma dor fora do normal) por que me deu chance de ver quem realmente está do meu lado. Quem realmente se importa.

Tenho pra mim que, quando alguem está mal, I mean, se a pessoa está no hospital é por que a pessoa realmente não está bem; o minimo a se fazer é ligar... se não pra ela no hospital pra alguém da casa dela, saber como as coisas estão, cortesia de praxe.

Foi interessante ver a reação dos meus amigos.

Alguns, aqueles que eu tinha certeza que eram capazes de sairem das suas casas pra irem até o hospital me ver, tiveram exatamente essa reação. Me ligaram ou mandaram sms seguidos e cheios de preocupação, querendo saber se eu estava melhor ou quando teria previsão de alta. Esses estão comigo para o que der e vier, e eu sei que posso contar com eles de manhã ou de noite. Nesse grupo não tem muitos, mas os poucos que ali residem eu tenho certeza que não vão me abandonar jamais.

Tem também meus pais e mães... amigos de longa data da familia que nem por um minuto me deixaram sentir sozinha naquele quarto gelado. Esses são aqueles que me levaram até o hospital, ou emprestaram o carro pra me levar até lá... também sei que posso contar com eles até debaixo d'agua, sem medo de ser feliz!

Tem aqueles que não ligaram na hora... não me procuraram de imediato... mas estavam pensando em mim e assim que cheguei em casa apareceram. E eu entendo o por que desse comportamento agora.. na hora fiquei chateada sim, achei que não se importavam comigo, mas percebi que não era isso... não é todo mundo que consegue parar com a sua vida só pra te adular, entendi isso agora. E o fato de que algumas viajaram quase oito horas pra me ver no final de semana quer dizer muito, you know?

E tem aquelas que decepcionaram. I'll give it to you, eu não estava morrendo... graças a Deus foi só um cisto, nada de mais grave, mas mesmo assim... você passou por uma cirurgia... eu tenho que admitir que nunca me senti tão vulnerável na minha vida como na hora que eu sentei na cama pra me levarem pra sala de cirurgia. Eu queria chorar, queria chamar minha mãe, queria falar pro meu pai não deixar eles me levarem por que eu estava morrendo de medo de alguma coisa dar errado e eles esquecerem uma gaze dentro de mim or something like that...

E algumas pessoas, uma das mais importantes na verdade, nem ligou. Ficou sabendo, achou que era cirurgia de rotina (tipo, que merda é essa?! Só por que é de rotina a outra pessoa não merece nem uma mensagem? Nem pra saber se já tá em casa?!), viu que não era cosia de vida ou morte e prefiriu deixar passar... já que não tá morrendo, pra que se incomodar, não é?!

E sim, eu foco naqueles que sempre estão lá... os amigos e a familia, por que a minha familia é essa coisa tão linda que um dia depois de sair do hospital todas as minhas tias já estavam na minha casa... menos uma, mas eu sei que ela só não estava aqui comigo por que o meu primo também ia passar por uma cirurgia no dia seguinte... não é uma boa semana pra minha familia, eu tenho que admitir... Mas mesmo assim, quando alguem te decepciona nesse grau, é horrível. É triste. Te faz pensar em muita coisa.

Te faz pensar que as pessoas mudam e não te esperam, por que sabem que uma hora ou outra você acaba acompanhando, nem sequer te informam que a mudança está ocorrendo... que se dane você e aqueles que não perceberam! Não é de hoje que as mudanças estão vindo... tem um bom, longo tempo que você percebe uma coisa ou outra.... mas você acredita que a amizade fala mais alto. Você se recusa a pensar que talvez a jornada junto com a outra pessoa chegue ao fim.

Eu tive um termino de amizade nesses vinte e um (caralho, é tudo isso já?!) anos de vida. E foi triste... mais triste do que eu gostaria de lembrar. Foi uma daquelas coisas que não dava mais mesmo, foi foda, era horrível acordar e saber que a pessoa não ia te ligar e ela provavelmente não ia te atender se você ligasse pra ela; eu só agradeço por não ter perdido todas as amigas nessa época... a minha "meia irmã" continua comigo até hoje e eu sei que essa ninguém tira de mim.

Não digo que com essa amiga agora a amizade tenha acabado... mas ela está tão deteriorada que não sei como continuar daqui pra frente; principalmente por que agora eu realmente imagino que ela não se importe comigo... não dá pra colocar de outra forma. e não consigo pensar de outra maneira... acho isso tudo tão triste e até mesmo infantil, ficar pensando em amizades que podem acabar e coisas do tipo, mas não dá pra evitar. Está tudo tão escancarado que nem que eu queira consigo ver de outra forma agora.

Algumas pessoas te surpreendem... aquele telefonema a longa distancia que fazia tanto tempo não acontecia de repente acontece de novo, aquele sotaquezinho que faz você rir; aquela mensagem bizarra as três da manhã que ninguém mais entende; aquele telefonema na hora do almoço por que afinal de contas as pessoas trabalham e essa era a única hora livre pra te ligar e ver como você está. Isso é o que faz a diferença... não quem não te ligou, quem não mandou mensagem ou email. É nisso que devemos nos prender, é nisso que devemos nos ater a cada momento, pra que não se perca o sentido das coisas... o sentido da vida.