Sabe quando você precisa sentir? Não é sentir nada
Passei o dia todo com esse sentimento... Olhava pro meu celular e pensa em ligar pra alguém, mandar mensagem, jogar, ver fotos, vídeos... Escutei muita musica hoje. Mas ainda não era isso que eu queria sentir. Peguei um filme triste hoje pra ver, tentar chorar. Nada.
Ontem foi a mesma coisa. Vi dois filmes... Um novo, ainda não tinha visto, e um antigo, que sempre me faz chorar. Nada também.
Dois dias tentando sentir... Dois dias sem sentir... Nada.
Fazia muito tempo que eu não andava de bicicleta. Assim, muito mesmo. E meu cunhado veio pra minha casa hoje, encontrar a minha irmã, de bicicleta.
Fiquei mais um tempo olhando a chuva, pensando em sair, me molhar, faz tempo que também não tomo banho de chuva. Decidi que não. Por quê? Não sei. Na hora não pareceu uma idéia tão boa, apesar do calor insuportável de São Paulo no final do ano.
Fui até a casa da minha prima. Mesmo quintal, em frente a minha. Ela não estava, ou fingiu que não me viu. Acredito mais na segunda opção.
Olhei o telefone. Ele não toca pra mim tem um bom tempo. Não que isso determine a minha felicidade, mas talvez meu estado e necessidade de sentir se aliviariam um pouco com o fato que alguém estava pensando em mim naquele momento. Estranho. Não sei de onde esses pensamentos surgem.
Enfim, sai de casa de novo. Parei na varanda. A bicicleta me olhou. Eu olhei pra ela. Não foi amor a primeira vista. Não foi amor nenhum. Apenas necessidade.
Não tive duvidas mais. Peguei minha Rachel, meu mp3 se chama Rachel (Berry, não Green),coloquei Seasons of Love pra tocar e sai. Realmente, fazia muito tempo que não andava de bicicleta.
Na primeira curva quase cai, mas o elenco de Rent cantava no meu ouvido e aquilo me deu uma vontade de correr mais, de sentir o vento no rosto, de cantar com eles o mais alto que eu pudesse! E foi o que eu fiz.
Por meia hora eu corri, cansei, suei, e cantei. Gritei. Cantei sem parar musicas que agora soam como hinos pra mim. Measure your life in love. The opposite of war is not peace, it’s creation. Take me for what I am, who I was meant to be. Todos os versos soavam como se estivessem sendo cantados pra mim. E isso me fez sentir.
Fez-me sentir viva. Fez-me sentir importante, não para os outros, mas para mim mesma. Fez-me sentir. E era só isso que eu precisava.
O vento no rosto, uma musica no ouvido e uma bicicleta.